CONECTANDO por: Marcelo Carmello







Alexandre Órion designer e artista plástico vem expandindo horizontes no mundo das artes, explorando grafite e fotografia. Com sua intervenção urbana ele transforma realidade em ficção e ficção em realidade.
Como e quando você se conscientizou que técnicas plásticas e fotografias poderiam caminhar lado a lado?
Órion_ Sou apaixonado pelas misturas e acredito que o exercício criativo passa pelo processo de exploração técnica. Quando era menino, eu desenhava todo o tempo e, muitas vezes sem saber, estava experimentando técnicas. Comecei a trabalhar aos 14 anos, já vendi camisetas personalizadas, trabalhei como tatuador, fiz ilustrações, design e jogos pra internet. Acredito que essa bagagem tenha me dado liberdade de trabalhar. Mas a idéia de Metabiótica, apesar de parecer experimental, foi algo muito mais elaborado do que instintivo.O que eu tinha em mente era provocar um conflito entre fotografia e pintura pra alcançar dois objetivos principais:questionar os limites da fotografia e o grau de veracidade das imagens fotográficas; e sugerir uma outra forma de intervenção pública que interagisse com as pessoas e discutisse o cotidiano das metrópoles.
Quantas imagens em média são feitas ao longo de cada trabalho para que seu objetivo seja atingido?
Órion_Já cheguei a passar dois meses indo diariamente ao mesmo local, de 4 à 6 horas por dia, esperando pela situação ideal. Mas mesmo quando acredito já ter conseguido a imagem, eu volto ao local para completar no mínimo 2 filmes. Portanto, para cada imagem, existem pelo menos outras 71 que ficaram fora da seleção.
Ao longo desses 12 anos de carreira, como você definiria seu trabalho?
Órion_Eu diria que meu trabalho é preocupado em vários sentidos. Penso minuciosamente em cada faceta dos meus projetos para que as pessoas entendam a mensagem. Procuro por temas universais e trabalho em coisas que considero importantes para todos nós. Tento usar a minha arte como um veículo de transformação, que pode ser tanto social quanto espiritual, tanto político quanto artístico.
Vivemos em um país onde poucos tem acesso à arte. Visto isso, linguagens como a sua são de fundamentais importâncias para a contribuição cultural de uma sociedade. No que diz respeito a apoio, patrocínio, divulgação do seu trabalho dentro e fora do país, há uma valorização do Órion como profissional da arte?
Órion_O verdadeiro reconhecimento chega pra mim através dos e-mails que recebo, vem nos elogios das pessoas, dos amigos que ouviram algum comentário e me contam, nas palavras de gente que admiro e cuja opinião vale muito. Porque a motivação da minha arte não é comercial, a maioria dos problemas que o mundo enfrenta hoje está ligada a idéia de consumo e de propriedade. Fiz muitos amigos e parceiros ao longo desses anos, gente que me apóia e que também acredita num outro mundo, melhor. Hoje ganho dinheiro com as artes plásticas, mas é importante dizer que vivo da minha arte porque minha arte me mantém vivo. Porque preciso de pouco pra viver. Porque não tenho sonhos de grandeza material.